Por vezes chorei prantos disfarçados do tranqüilo risonho que meu lábio vestiu, e em toda delicadeza do gesto não se via a debilidade naquela ação, como é que se rir quando se chora? como é que se chora se a vontade é de rir? Segui bordando epitáfios para o meu próprio cadáver, caluniando a mim mesma de forma tão não sincera, transformando a donzela donativa em escarcéu, em bocas de putas, imundas das bocas que beijam, agora como reclamar de tanta sujeira se minhas mãos estão empertigadas de lama? Como atirar pedras se o meu teto desaba e os estilhaços de vidros me cortam a pele?No dorso carrego a vontade de desenhar outras linhas, de falar outros versos, de cantar outras canções, mas como o que me domina nada me deixa a chance de refazer, remodelar o que eu sou e como me encontro, o que me resta mesmo é costurar os remendos das lágrimas de choro, e do tanto em que vivo.
(Lais Barreto Peixoto)

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