Ao vê-las sinto uma súbita alegria, uma calma por haver flores no meu ambiente, lindas e coloridas como mechas de amor, de vida. Encantam os olhos meus e me arrancam os sorrisos amargos e temerosos. Ah, pobre de mim se eu já não tivesse o dom de ver jóias falsas, dom que não foi de berço, foi de lágrimas de decepção. Elas enganam os corações poucos sensíveis imitando toda a graciosidade da pureza. Encantando a tudo, na hipocrisia da verdade. Mas elas não têm cheiro, não são macias como a boca de quem se ama, não dão frutos, não morrem, apenas vivem congeladas, como um retrato bem feito, a espera que só reste elas para serem contempladas. Mas não sei como é possível até na ilusão de ser rosa também possuía espinhos, e houve sangue em meus dedos.

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