Me ponho a escrever por que meu coração quer falar... e não é ele sempre quem fala? Não são todos desejos, nossos sonhos, nossa realidade e imaginação, não estar tudo interligado numa falsa sensação de ter noção do mundo?. De por regras e alinhamentos dos fatos desordenados procurando um sentido? Crer no que não ver, procurar reflexão nas coisas incompreensíveis tentando vagamente decifrar os segredos do mundo... permanecemos cegos e errantes, desbravando corajosos ou temerosos, apenas seguindo, criando uma falsa lógica na rotina diária, o mundo anda e nosso coração mudo se cala, até que o gigante acorda com fome de amor, de compreensão, de sentido, com fome de tudo que permaneceu adormecido. Essa é minha sensação de estar momentânea. O tempo terreno passa: 6 anos, 4 anos, e 6 x 4 já é quase minha idade! E a eternidade? Vidas futuras e passadas? como realmente se mede o tempo? Evolução x degradação? a vida se construindo e se autodestruindo, não consigo suportar a sensação. Ando em círculos, reflito, reflito, reflito... passarei minha vida nesse ciclo infinito! Buscando o meu melhor, na verdade arrancando o melhor de dentro de mim, vou tirando os pedaços estragados a procura da perfeição e me descubro sempre incompleta! Com o tempo terreno transformo corações em pedras, por que o meu já não bate forte como outrora, veio petrificando-se e assim me tornando bela, aterrorizante e fatal.
(LAIS BARRETO PEIXOTO)

eis uma grande escritora. digo isso não apenas por esse texto, mas por todos seus que li.
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