sexta-feira, 2 de outubro de 2015

"Sou vários caminhos, inclusive o fatal beco sem saída"!




Acho que fui Clarice Lispector! Se não fui quis ser, porque ela diz o que quero que seja dito, fala por ela como se falasse por mim! Suas tramas descrevem meu eu, seus pensamentos muitos são retratos dos meus sentimentos, leio seus livros e suas frases e suas palavras e parecem arrancadas dos meus pensamentos", meus segredos revelados. Estranho um alguém ser um pouco de você e você ser um pouco de alguém. Suas tramas psicológicas fidelizam o leitor, trata-se quase de uma tradutora de sentimentos, sempre extremamente intensos e permanentes. Mandaria Flores ao Céu pela sua existência! Ah o que seria de mim sem as palavras de Clarice, traduzindo em letras ordenadas os sentimentos que não seria capaz de explicar!
 
" O que escrevo aqui é forjado no meu silêncio e na penumbra.
Estou escrevendo porque não sei o que fazer de mim.
Desconheço as leis do espírito: ele vagueia! (...)
Há outro modo de salvar-se se não o de criar as próprias realidades?"
(C.L)

A MORTE DA MEDUSA




    Me ponho a escrever por que meu coração quer falar... e não é ele sempre quem fala? Não são todos desejos, nossos sonhos, nossa realidade e imaginação, não estar tudo interligado numa falsa sensação de ter noção do mundo?. De por regras e alinhamentos dos fatos desordenados procurando um sentido? Crer no que não ver, procurar reflexão nas coisas incompreensíveis tentando vagamente decifrar os segredos do mundo... permanecemos cegos e errantes, desbravando corajosos ou temerosos, apenas seguindo, criando uma falsa lógica na rotina diária, o mundo anda e nosso coração mudo se cala, até que o gigante acorda com fome de amor, de compreensão, de sentido,  com fome de tudo que permaneceu adormecido. Essa é minha sensação de estar momentânea. O tempo terreno passa: 6 anos, 4 anos, e 6 x 4 já é quase minha idade! E a eternidade? Vidas futuras e passadas? como realmente se mede o tempo? Evolução x degradação? a vida se construindo e se autodestruindo, não consigo suportar a sensação. Ando em círculos, reflito, reflito, reflito... passarei minha vida nesse ciclo infinito! Buscando o meu melhor, na verdade arrancando o melhor de dentro de mim, vou tirando os pedaços estragados a procura da perfeição e me descubro sempre incompleta! Com o tempo terreno transformo corações em pedras, por que o meu já não bate forte como outrora, veio petrificando-se e assim me tornando bela, aterrorizante e fatal.

(LAIS BARRETO PEIXOTO)